Há muito não escrevo nada meu, de minha autoria.
Ultimamente tenho usado de palavras alheias pra expressar meus sentimentos.
Ultimamente tenho evitado me expressar. Porque quando me expresso por minas palavras, chego mais próximo da realidade. E a minha anda meio turva.
Não estou fugindo. Mas também não estou conseguindo evitar que se vá um pouquinho de esperança a cada vez que me lembro como tudo está.
Como um cão que apanha sem saber por que. Como um cego em meio ao tiroteio. Entre o diabo e o mar profundo.
Não há pra onde correr, não há como negociar.
Não há barganha que satisfaça, não adianta mais chorar.
Sem motivos, apanho sem saber por que.
Uma junção de um corpo fatigado pelo esforço repetitivo e de uma mente cansada que continua a acreditar.
Céus, mandem-me um sinal...
Não enxergo mais por onde andar. Todo caminho me parece tortuoso demais pra seguir em frente.
Estou caindo, e deitado, não posso andar.
Enxergo um portão logo à frente, mas não sei se é real.
Ele leva à próxima página que ainda está longe do final.
“Proibido passar sozinho!” - Eu tento carregar.
Mas está acorrentada bem no calcanhar.
A corrente é forte? - Uma hora vai quebrar.
A minha, já quebrei e a de todos um dia se quebrará.
Luto como quem luta pra dois. Não se deixa alguém caído pra depois.
Luto como quem não tem medo de enfrentar. Luto pela outra alma que, em mim, está.
Luto como quem tem uma promessa a cumprir:

